Saturday, October 10, 2009
recordando a FRANCISCO FERRER I GUARDIA

Centenário de Ferrer i Guàrdia Fundador da Escola Moderna foi executado há um século Se muitos conhecem o filósofo Jonh Dewey ou o pedagogo brasileiro Paulo Freire, a maioria desconhece que o pai ideológico destes reputados pensadores foi o catalão Ferrer i Guàrdia (1849 – 1909). O criador da Escola Moderna, fundamentada em ideais libertários e de cariz social, nasceu a 14 de Janeiro de 1859, em Alella, na Catalunha. Na adolescência começa a contestar o regime monárquico e o poder da igreja sobre o Estado e os cidadãos. Através da sua ligação com os republicanos, participa em tentativas de derrube do poder da monarquia e que visavam a instauração da república em Espanha. Devido à sua actividade política e social, foi exilado em Paris, em 1886, onde conheceu o ideal libertário preconizado pelos anarquistas e identifica-se com Paul Robin, o teórico da Pedagogia Integral e fundador do Orfanato de Cempuis na cidade de Paris. Em Abril de 1901 Francisco Ferrer i Guàrdia recebe uma herança de uma viúva francesa a quem dava aulas de castelhano em Paris. Aos que tratavam de o convencer em utilizar o dinheiro para fins eleitorais, como o líder republicano-socialista radical Alejandro Lerroux ( ver a sua biografia em http://es.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Lerroux ) responde: “Servirei melhor as minhas ideias fundando a Escola Moderna do que fazendo política”. No seu livro La Escuela Moderna, Ferrer definia assim o objectivo da Escola Moderna: “Extirpar do cérebro dos homens tudo o que os divide, substituindo-os pela fraternidade e a solidariedade indispensáveis para a liberdade e o bem-estar gerais para todos.” O ensino ministrado seguia as seguintes orientações: o aluno é livre, livre inclusive de deixar a escola. O aluno goza de uma ampla liberdade de movimentos: vai ou não ao quadro, consulta ou não este ou aquele livro, entrega-se às suas fantasias quando isso lhe agrada, e até pode sair da sala de aula quando tem vontade de o fazer. Não havia exames, nem muito menos castigos e recompensas. Na realidade, a Escola Moderna foi um importante foco de educação popular: constituída por ensino primário, foi a primeira escola mista em Espanha (inédito na época em muitos países europeus), de dia era para crianças e à noite para adultos; teve aulas de francês, de inglês, alemão, taquigrafia e contabilidade; estava apetrechada com um local onde se realizavam conferências, vocacionado para os sindicatos e as colectividades operárias; tinha ainda uma editora a fim de suprir a crónica falta de material didáctico, e graças à qual foram editados manuais escolares, livros para adultos, folhetos, informações e um boletim. Aos domingos funcionava como uma universidade popular acessível a todos. Além disso, Ferrer é defensor da educação física e da natação, ao mesmo tempo que rejeita os jogos e as provas de competição que servem para alimentar a vã glória dos seus participantes. Estimula os trabalhos manuais para os rapazes, assim como a jardinagem, a limpeza e os trabalhos domésticos, uma forma de nivelar ambos os sexos na execução das mesmas tarefas. O local escolhido para a instalação da primeira escola foi um antigo convento da rua Bailén, na cidade de Barcelona, tendo aberto as suas portas a 8 de Outubro de 1901. Não é de todo alheio à Escola Moderna e aos seus ideias o facto de a Catalunha ter estado na vanguarda das lutas emancipadoras nos últimos cem anos e que movimentos políticos e sociais, como a CNT (Confederação Nacional dos Trabalhadores), se tenham implantado tão fortemente naquela região. Em 1905 a Escola Moderna espalha-se por 147 espaços por toda a Catalunha. Em 1908 contam-se mil alunos só na cidade de Barcelona, e criam-se centros de ensino do mesmo género em Madrid, Sevilha, Málaga, Granada, Cádiz, Córdoba, Palma, Valência, assim como no estrangeiro (em SãoPaulo, Lausanne, Amsterdam e Lisboa). Em Junho de 1906, o governo espanhol encerra a escola-mãe, na rua de Bailén, na sequência do atentado bombista de Mateo Morral, bibiotecário da Escola Moderna, contra a carruagem real no dia da boda de Alfonso XIII. Ferrer i Guàrdia é detido e processado como instigador do atentado. Absolvido das acusações, Ferrer sai da prisão em Junho de 1907, mas a Escola-mãe em Barcelona jamais reabrirá portas. Ferrer promove a criação da revista L’École Renouvée com o subtítulo «extensão internacional da Escola Moderna de Barcelona», cujo primeiro número é editado em Bruxelas a 15 de Abril de 1908 e onde explicitamente se defendia que o militarismo era um crime, que a distribuição desigual dos rendimentos devia ser abolida, que o sistema capitalista era prejudicial aos trabalhadores e que a política dos governantes era injusta. Também defendia a não-violência. Ao fundar em 1908 a “Liga Internacional para a educação racional da infância” conta com apoiantes de peso como Languevin, Bernard Shaw, Berthelot e Gorki. No ano seguinte, vários protestos eclodiram na Catalunha contra a guerra de Espanha com Marrocos. Estes acontecimentos ficaram conhecidos como Semana Trágica e foram marcados pela revolta da população de Barcelona que queimou igrejas e conventos, obrigando as autoridades a abandonar a cidade. No período da revolta, Ferrer encontrava-se de visita a um irmão que morava em Barcelona. A repressão que se seguiu à Semana Trágica prendeu e condenou dezenas de pessoas, entre elas Ferrer, preso no dia 1 de Setembro. O Tribunal de Guerra reunido para os julgamentos aplicou penas que variavam de prisão perpétua à execução. A favor de Ferrer levantaram-se vozes em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Mas para que a “ordem” monárquica e eclesiástica se restabelecesse era imperioso que Ferrer fosse julgado no Tribunal de Guerra, sem testemunhas de defesa. No dia 09 de Outubro, o Conselho de Guerra abriu a sessão e ouviu as contraditórias testemunhas que acusavam Ferrer. A acusação que pesava sobre Ferrer de ser o líder intelectual da Semana Trágica baseava-se unicamente numa denúncia formulada numa carta remetida por prelados de Barcelona. No mesmo dia foi dado o veredicto final: a pena de morte. A execução ocorreu em 13 de Outubro de 1909, na Fortaleza de Montjuich.

Posted at 06:33 am by malatesta

 

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me gusta caminar por las ramas y tener la lengua en la luna, hacer el pino en las fuentes cultivar zascandiles, perder el tiempo para cosechar los enormes espacios de los dias, soñar con las musarañas, tener los pies en la tierra para volar sin miedo, y no dar un paso atras ni para coger impulso.







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